aqui jaz um parque

22 22UTC Fevereiro 22UTC 2009

Foto de Lucas Dupin


Retomar a área pertencente ao parque municipal de Belo Horizonte,  demarcando os antigos limites com tinta verde lançada pelo deixa-rastro ao chão, enlaçando graficamente as áreas subtraídas e realizando com o corpo em movimento, um desenho no espaço.

área destinada a um cortejo verde

22 22UTC Fevereiro 22UTC 2009

Detalhe do parque Municipal na Planta de Aarão Reis

O Parque Municipal Américo Renê Giannetti, localizado no centro da capital mineira, projetado para cobrir uma área de 600 mil m2, possui hoje 182 mil m2.

área atual do parque_ fonte: google earth

Em 1976, o escritor Pedro Nava escreveu a respeito:

Nas plantas primitivas de Belo Horizonte o parque Municipal era um vasto quadrilátero limitado por Mantiqueira; Francisco Sales; pelos logradouros ocupados hoje pelo viaduto Santa Tereza, Rua Assis Chateubriand e Francisco Sales, por bernardo Monteiro e Carandaí. Hoje ele ocupa a quarta parte do espaço previsto para esta zona verde central e está reduzido ao triângulo demarcado pela Alameda Ezequiel Dias, Avenida dos Andradas e sua velha marca anterior de Afonso Pena. Parabéns aos senhores Prefeitos progressistas. Pêsames à população de Belo Horizonte, particularmente às crianças residentes nos arranha-céus do centro. A invasão foi lenta e sorrateira. (…) Para isso concorreu a indiferença da população.



procura-se 90 ciclistas

22 22UTC Fevereiro 22UTC 2009

É proibido andar de bicicleta no parque. Precisava dos ciclistas e por isso somente eles poderiam partir do parque para reconquistar a área original subtraída.  Procurei-os freneticamente, queria que fossem 90 deles. Procurei primeiro por e-mail, que pedi que fosse repassado a outros, e por fim em encontros, com pouca gente e muitas promessas.

foto Milene Migliano

Foto de Milene Migliano

Foto de Milene Migliano

Foto de Milene Migliano

Foto de Milene Migliano

como construir um “deixa-rastro”?

22 22UTC Fevereiro 22UTC 2009

Queria que os ciclistas deixassem um rastro de tinta. Que deveria ser verde, e deveria marcar o asfalto. Precisava de um mecanismo que fizesse isso.  Somente me deixaram fazer isso em uma data, em dezembro. Em BH, chove em dezembro. Em conversa com os ciclistas, percebi que faltariam mãos para pilotar a bicicleta caso eles tivessem que segurar em uma delas, uma sombrinha, e na outra, controlar o mecanismo. Então projetei um mecanismo “quase-automático” e decidi trocar as sombrinhas por chapéus de plástico. Verdes, é claro.


Foto de Milene Migliano

Foto Milene Migliano

Foto Milene Migliano

Vinícius testa o modelo 1.

Foto Milene Migliano

modelo 2 – com cano de pvc

Optei pelo uso de garrafas tipo pet como recipiente para a tinta. Os demais materiais utilizados foram encontrados em lojas de ferragens, borrachas e de artigos para máquinas industriais.

  Foto Milene Migliano

Ao final , o invólucro da garrafa foi feito com tiras de plástico, baseado na idéia de envelope e aproveitando o próprio peso da garrafa como estrutura.

Foto Milene Migliano

Foto Milene Migliano

Foto Milene Migliano

Foto Milene Migliano


Infelizmente, a Selva América produções Ltda continua um projeto para o futuro. Então, para construir deixa-rastros para 30 ciclistas – era o número com que eu me conformei – contei com a ajuda de mais ou menos uns 20 amigos, que se revezaram vindo `a minha casa durante as manhãs, tardes, noites – e algumas madrugadas,  por algumas semanas. Não saberia dizer quantas, afinal, não dormia muito nessa época.

Montadores de deixa-rastro : Lucas Dupin, Humberto Mundim, pintor, que produziu de inúmeros tons de verde para encher as garrafas, Ivie Zappellini, Marcos David Pereira, os amigos do KAZA VAZIA Paulo Nazaret, Aline Midori, Tales Bedeschi, Hernani Mendes, Andrea Prates, os colegas de Bolsa Pampulha Maira das Neves, Ariel Ferreira, Yuri Firmeza, Daniel Hertel e seu pai, Silvia Herval, Marcos Davi Pereira, Alexia Mello, Pedro Marra, Luciana Campos, Daniela Eugênia, Bruno Vasconcelos.

Foto Milene Migliano

Foto Milene Migliano

Foto Milene Migliano

Foto de Milene Migliano

Foto de Milene Migliano

Celular-foto de Sylvia Amélia

Celular-foto de Sylvia Amélia

Celular-foto Sylvia Amélia

Celular-foto de Sylvia Amélia

Foto de Milene Migliano

feira de ciências no museu

22 22UTC Fevereiro 22UTC 2009

Agora não vou mais de Venda Nova ao Barreiro dar aulas de arte para crianças. Uma bolsa de arte! Escolho viver com pouco e só fazer isso. “esta não é uma bolsa de arte  pública”. “esta não é uma bolsa de arte para expor no Museu”.  Me pedem pra sair. De antemão eu aceito. Coleciono projetos. A verba só sai depois do sim, se o projeto foi aceito. Grandes projetos para espaços fechados. Pequenos projetos para espaços públicos. O que fazer? O que dizer ao meu patrão? E a minha encomenda? Por que realizar todas as ações no dia do aniversário da cidade? Dizem que esta era a data de abertura do Salão de Arte de Belo Horizonte. Porém, o que mais acontece nesse dia?

Importação de 111 mictórios para o aniversário de BH. A serem instalados em praças públicas. Promoção de uma performance biológica, orgânica, vivenciado pelo espectador homem, a jorrar urina para dentro da fonte coletora.

foto anônima_cidade de amsterdam

Quando vão inventar algo tão despojado para as mulheres?

Tento chegar no Museu de nove pontos diferentes da cidade. Não existem linhas de ônibus que me levem até lá. Com a pequena câmera do celular apoiada no vidro do ônibus, registro alguns trajetos. Cine Bus, em breve no mezanino do museu.

Um pseudo-cientista executa monumentos para o fim do mundo, protótipos para abismos e buracos-negros, brancos.

Foto de Sylvia Amélia

Na rua novamente: a minha matemática inexata procura o que falta e o que sobra. Árvores cortadas e buracos projetados. Arquivos abertos.

foto de Sylvia amélia

Os projetos arquivados não param de chegar. Não adianta querer fazer, a verba para execução só sai a dois meses do fechamento do projeto.

Tropeço numa exposição de documentos do processo no Museu. Desejo a exposição, mas como retomar a pesquisa de até então, sem ser uma coisa chata, estanque?

Foto de Miguel Aun

Detalhe_foto miguel Aun

Detalhe_foto Miguel Aun

Inspirada pelo nome dado a exposição Preparatória faço uma cartolina escolar.

Foto de Lucas Ferreira

Na foto 5 artistas do projeto Bolsa Pampulha, na abertura da exposição PREPARATÓRIA :  Maira das neves, Daniel Hertel, Ariel Ferreira, Fabricio Carvalho e Sylvia Amélia. Foto de Lucas



e um helicóptero?

22 22UTC Fevereiro 22UTC 2009

De 90 bicicletas, passei para 50 que passei para 30 e consegui 18. A BHTRANS se indispôs quase na última hora para permitir o uso da tinta,  a alegar que a base de água da tinta era luminosa demais, viva demais e que colocaria em risco as travessias de pedestres (!?). Impôs uma série de restrições. A tinta deveria ser removida imediatamente após a ação. Com muito esforço e espera, o MAP conseguiu a liberação do alvará.  Realizar isto com toda a burocracia de acesso à verba destinada ao projeto e em 3 semanas. Sem produção de campo. Com o Museu cuidando de 10 ações ao mesmo tempo.  A curadoria apoiou, apostou e se esforçou para que o plano se fizesse.

Foto MIguel Aun
Um detalhe a mais: Eu queria um helicóptero para fazer as tomadas aéreas.

desenhando no asfalto

22 22UTC Fevereiro 22UTC 2009

Circuito percorrido

A preparação das bicicletas foi feita dentro do parque no dia 13 de dezembro, de 14h às 16h 30, 16 ciclistas compareceram, com adesões na última hora de dois ciclistas e uma criança. A chuva ameaçou pegar todo mundo no asfalto, ensaiou uma garoa e se foi.

Foto Miguel Aun

Foto Miguel Aun

Foto Miguel Aun

Foto Miguel Aun

Foto Miguel Aun

Saímos da rua dos Tamoios com rua da Bahia às 17 h e percorremos os 3 mil e 500 metros do antigo traçado do parque em menos 30 minutos. Cada ciclista portava 4 litros de tinta verde.

Foto de Miguel Aun

Foto de Miguel Aun

Foto de Lucas Dupin

Foto de Milene Migliano

Foto de Milene Migliano

Foto de Milene Migliano

Foto de Milene Migliano

a bicicleta como um pincel

22 22UTC Fevereiro 22UTC 2009

Durante a ação, pude perceber que neste trabalho, público e obra coincidem, pois o Plano de Retomada acontece sobretudo na experiência do ciclista e na medida em que percorremos e desenhamos com as bicicleta. Um segundo público, talvez menos privilegiado poderia ser quem está fora do trabalho. Aquele que vê e se pergunta o que está acontecendo aqui?  As linhas verdes fizeram uma costura, um abraço no parque. Foi lindo ver o bordado de linhas no chão, o brilho nos olhos dos participantes, as duas crianças soltas no mundo que aderiram naturalmente à experiência.

Agradeço as colaborações e as presenças dos ciclistas: Mariana Coutinho, Dafne Csenger, Vinicius Mundim, Silvia Herval, Lorenzo Natale, Tauanne Dias, Marcelo Terça-nada, Paula Alvares, Eurico Fernandes, Edinho Ramos, Luciano Irrthum, Juliana Viana, Geraldo Belvino, Marcelo Belvino, Humberto Guerra, Vinicius Moura e todos aqueles que foram embora sem deixar seus nomes.

Foto de Lucas Dupin

A tinta é disparada na roda da frente o que permite um controle maior do percurso do desenho pelo ciclista. Uma válvula regula o controle de fluxo da tinta. No asfalto, uma diversificada gama de verdes escreve o percurso no cinza do chão.

Foto de Lucas Dupin

Foto de Lucas Dupin

Foto de Lucas Dupin

Foto de Miguel Aun

Foto de Lucas Dupin

Foto de Lucas Dupin

Foto de Lucas Dupin

Foto de Lucas Dupin

Foto de Lucas Dupin

Foto de Lucas Dupin

Foto de Milene Migliano


Foto de Miguel Aun

Foto de Miguel Aun

Foto de Miguel Aun


carcaças de bicicletas verdes

22 22UTC Fevereiro 22UTC 2009

foto Miguel Aun

foto Miguel Aun

foto Miguel Aun